Transformação digital: modismo ou algo fundamental?

14 de Março de 2018 por Eliezer Silveira Filho

O tema transformação digital está presente nos discursos da maioria das empresas. Muito pelo cenário apocalíptico, que prevê que “40% das empresas Fortune 500 não existirão mais nos próximos dez anos”, como afirma Peter Diamandis, pensador sobre o tema e reitor da Singularity University, ou pelo avanço no ritmo de adoção de novas tecnologias. Enquanto o telefone, por exemplo, levou 75 anos para chegar a 50 milhões de pessoas, o jogo aplicativo Pokemon Go levou 15 dias.

"Transformação digital é a possiblidade gerada pela combinação de computação, software, conectividade e sensores."

Eliezer Silveira Filho

Para aterrissar essas inquietações e transformar em projetos práticos, a Stefanini desenvolveu com a INSEAD o programa executivo em Transformação Digital com os professores Felipe Monteiro e Nathan Furr – este último é autor do livro The Innovator’s Method e diversos artigos sobre o tema.

Segundo a publicação Time Magazine, em 2045 a capacidade de processamento dos computadores irá superar a capacidade de todos os cérebros humanos combinados.

Essa evolução leva a novas conexões, novas possibilidades e, principalmente, muda a forma das nossas indústrias. Isso é transformação digital, são as possiblidades geradas pela combinação de computação, software, conectividade e sensores. 

Para guiar nesse entendimento, professor Nathan Furr reforça três conceitos fundamentais: Inovação, Disrupção e Inércia.

INOVAÇÃO

Quando pensamos em inovação, geralmente vem a imagem daqueles laboratórios com inventores fazendo testes, muitas vezes sem saber o que virá.  Porém, existe uma diferença grande entre inovação e invenção. Invenção vem do latim inventio e quer dizer algo que foi achado, descoberto. Inovação é a interseção da invenção com a necessidade. Uma inovação obrigatoriamente deve atender a uma necessidade. 

Pode ser tanto uma inovação incremental como disrupção, mas sempre possui o objetivo claro de atender uma necessidade. O desafio é saber qual é a real necessidade, qual é o “job to be done”. É importante entender esse objetivo real, independente da tecnologia aplicada. Uma empresa de lâmpadas incandescentes, por exemplo, que vendia uma lâmpada que era trocada de três em três meses, deve ter sofrido os impactos da iluminação de LED, que leva 10 anos para ser substituída. Mas se esta mesma empresa entende que seu job-to-be-done é fornecer iluminação, ela deve se adaptar às mudanças tecnológicas para transformar seu negócio. 

DISRUPÇÃO

Para entender disrupção, precisamos compreender as inovações incrementais, que são atualizações importantes que mantêm a evolução de um produto. Seguem um ritmo constante e são importantes para manter a base de clientes interessada. Já a disrupção dá saltos maiores na evolução. Um exemplo é a telefonia celular, que passou por uma série de evoluções como, por exemplo, no uso do teclado com letras.  Uma marca identificou que esse teclado não precisava estar sempre presente e, ao transformá-lo em virtual, transformou o modelo antigo em algo obsoleto, além de se tornar referência de mercado. As empresas precisam estar atentas ao mercado e às tecnologias para identificar coisas que possam trazer a disrupção. Neste movimento, velocidade pode ser um grande aliado, ajudando a sair na frente e conquistar espaço.

INÉRCIA

No conceito físico, a inércia é a propriedade da matéria que indica resistência à mudança. Nas empresas, é a falta de visão para as mudanças que estão acontecendo e que podem impactar seus mercados. Existem quatro pontos que causam essa inércia nas organizações:

- Algo não parece ser disruptivo;

- Os clientes não pediram por isso;

- Isso requer capacidades diferentes que não possuo;

- Isso pode mudar meu modelo de negócio.

A inercia é um dos grandes motivos que poderá causar o cenário previsto por Peter Diamandis, em que diversas empresas deixarão de existir. E sobrepor esse fator é a razão que precisamos transformar nossos negócios. A transformação digital não é uma moda passageira, é um movimento de sobrevivência dos negócios. E cada organização precisa encontrar seu caminho, ciente de que a velocidade das mudanças só vai aumentar.  Como diz o autor de ficção científica Philip K. Dick, “tudo na vida é apenas por um tempo.”

 

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