O futuro é uma possibilidade infinita

por Por Luciana Abritta

Como as novas tecnologias podem solucionar problemas mundiais e gerar oportunidades, mesmo diante de enormes desafios

Há pouco mais de um ano, o físico Stephen Hawking disse durante palestra no festival de ciência Starmus, em Trondheim, na Noruega, que “a expansão para o espaço pode mudar completamente o futuro da humanidade”. Segundo um dos maiores cientistas do mundo, que morreu em março de 2018, o ideal seria os seres humanos criarem colônias na Lua e em Marte para garantir a nossa sobrevivência.

Embora alguns tenham avaliado o conselho de Hawking como alarmista, muitos especialistas acreditam que os recursos físicos da Terra estão se esgotando e o espaço seria uma forma de preservar e perpetuar a espécie humana. 

Se a opinião de Hawking faz parte de um cenário de ficção ou da lei da probabilidade, o certo é que os grandes desafios sempre impulsionaram os grandes inovadores da história a encontrar soluções que transformaram o mundo. Permitiu o homem chegar à lua, descobrir a cura de várias doenças e tornar o acesso aos dados cada vez mais fácil com a mobilidade e com o crescimento na utilização de smartphones. Possivelmente, será este mesmo desafio de conhecer mais, de questionar e encontrar alterativas que nos guiará até o espaço para desvendar situações inexploradas e criar novas possibilidades para viver bem.

Seja para colonizar o espaço ou para dirigir carros voadores nos grandes centros urbanos, a tecnologia tem avançado para que o homem concretize sonhos tão antigos e muito bem retratados pelas obras de ficção. Um dos exemplos de que o deslocamento em uma carro que voa está mais próximo da realidade é o projeto desenvolvido pela Embraer, em parceria com o Uber, que busca melhorar a mobilidade nos grandes centros urbanos por meio dos eVTOLs, veículos elétricos de decolagem e desembarque para médias distâncias – em torno de 23 milhas, o equivalente a 37 quilômetros.

O objetivo é criar um equipamento que as pessoas realmente queiram utilizar e que corresponda às expectativas dos futuros clientes, inclusive em termos de custos. A parceria contempla veículos de propulsão elétrica e de baixo ruído, que deverão entrar em operação em 2023. A primeira cidade-piloto será Dallas, nos Estados Unidos, onde já existe uma parceria com o aeroporto local. 

A ideia é combinar as expertises da Embraer, empresa que mais certificou aviões no mundo, e do Uber, que domina softwares de inovação em transporte urbano, para que as pessoas possam ir a qualquer lugar, a qualquer hora, com segurança.

Para representar uma alternativa ágil de deslocamento urbano, o táxi aéreo precisará de algo entre 70 e 100 aeropontos espalhados pelas cidades — no alto de prédios ou em áreas abertas, a partir das regulamentações necessárias para não atrapalhar o tráfego aéreo convencional e a vizinhança desses novos espaços para carros voadores.

Projetos como esse e outros desenvolvidos por empresas asiáticas mostram que o Jetsons tinham razão sobre o futuro do transporte: um dia todo mundo poderá voar. A EHang, empresa de drones de origem chinesa, está realizando uma série de testes com seu carro voador EHang 184, em Dubai. O equipamento poderá voar a uma altura máxima de 300 metros, carregando até 117 quilos. A velocidade máxima atingida é de 100 km/h e o raio de alcance chega a 50 km. O mais interessante: cada passageiro poderá programar o veículo com o destino que desejar, sem a necessidade de outra pessoa em seu interior.

A Porsche, fabricante de carros esportivos da Volkswagen, também pode desenvolver um veículo de passageiros voador para competir com rivais em um possível mercado por táxis aéreos urbanos e serviços de transporte compartilhado. Os passageiros poderiam ter algum controle sobre o veículo voador, mas não precisariam de uma licença para pilotar porque muitas das funções do carro serão automatizadas.

Recentemente, a Toyota também decidiu financiar um projeto de carro voador desenvolvido por um grupo de jovens engenheiros, que sonha ver o veículo no momento de acender a chama dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Pela dedicação dos profissionais e pela velocidade de execução dos projetos, tudo indica que os grandes congestionamentos serão minimizados pela tecnologia de ponta, que aposta na capacidade de transformação para promover novas experiências ao consumidor. 

Nova esperança

Vários especialistas acreditam que as respostas para os maiores problemas mundiais passam pela humanização da tecnologia. Para o vice-reitor da Singularity University, David Roberts, quando falamos em abundância, ela pode ser boa ou ruim. A abundância de carros, por exemplo, se transformou em um problema ao provocar grandes congestionamentos. Se tivermos carros autônomos, talvez o trânsito continue lá. A pergunta é: como dar um grande salto para mudar este cenário? Os carros voadores são inevitáveis e fazem parte do futuro. Com o tempo, os custos vão cair, assim como aconteceu com a energia solar, se tornando mais acessíveis”, afirma Roberts, considerado uma das principais referências internacionais em inovação disruptiva.

Segundo Peter Diamandis, cofundador e presidente executivo da Singularity Universit e autor dos livros Abundância e Oportunidades Exponenciais, o mundo vive um momento extraordinário de abundância. Existem desafios enormes em vários países, mas as oportunidades são infinitamente maiores. “Este é o momento do Brasil redescobrir sua força e mostrar que pode transformar o mundo”.

Diamandis acredita que os moonshots podem promover mudanças significativas em várias áreas – artes, cidades inteligentes, educação, governo, saúde, dentre tantas outras. Para o autor, as empresas que estiverem se movimentando para solucionar questões que façam sentido para um grande volume de pessoas estão no caminho certo. “Se você quer ser um bilionário, ajude um bilhão pessoas”, defende o executivo.

Moonshot thinking se trata de colocar os alvos mais longe do que o pensamento linear acha possível. Segundo a astronauta Yvonne Cagle, sempre é possível ir mais longe com tecnologias cada vez mais acessíveis. Ela defende a resiliência como uma característica essencial para aqueles que querem atingir o seu objetivo. “Flutuar é como andar de patins em vidro. Se o corpo pode superar uma série de desafios, nós podemos o impossível”, destaca a astronauta da NASA.

A neurocientista Vivianne Ming ressalta a importância de valorizar a vida e investir nas crianças. Ela menciona como a utilização de tecnologias exponenciais como a Inteligência Artificial e o Machine Learning podem melhorar a vida de pessoas com algum tipo de limitação física ou psíquica. “A tecnologia é capaz de reintegrar e humanizar”, enfatiza Ming.

Marco Stefanini, fundador e CEO da Stefanini, acredita que o que move cada pessoa para a mudança é a definição de um propósito e a vontade de realizar algo com determinação. “Para concretizar esses sonhos, é preciso também aterrissar, planejar e implementar mudanças que tragam abundância em vários aspectos - mais oportunidades, quebra de paradigmas, agilidade, eficiência e felicidade.”

Pessoas exponenciais 

Para a educadora Tônia Casarin, as pessoas são exponenciais e o professor tem um papel fundamental no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. “O que a gente sente impacta diretamente nas decisões que tomamos. Quando se expressa melhor, você constrói relações mais duradouras”, destaca.

De acordo com Casarin, a afetividade está diretamente relacionada ao aprendizado das crianças, que se sentem estimuladas a partir da relação de confiança com o educador. Ela questiona o fato de tentarmos robotizar as crianças, enquanto na outra ponta há um grande esforço para humanizar os robôs. 

Para a educadora, a transformação digital deve se basear numa relação de confiança, em que as empresas compreendam, de fato, as necessidades e desenvolvam em conjunto soluções que possam beneficiar milhares de pessoas, reforçando o conceito de cocriação.

“Estamos numa era em que a criação de ecossistemas contribui para o desenvolvimento da inovação”, afirma Kerry Keely, presidente e cofundador da Doblin Inc. e autor de “Ten types of Innovation”. De acordo com Keely, os ecossistemas precisam ser mais leves, rápidos, inteligentes, descentralizados e abertos. “Foque em uma questão relevante, crie caminhos e envolva parceria para promover mudanças”.

Para David Roberts, da Singularity University, a tecnologia por si só não resolve os grandes problemas mundiais. A verdadeira revolução está nas pessoas. “Se você quer mudar sua família, o Brasil ou o mundo, primeiro mude você”.

Segundo Roberts, a ideia de que a automação pode roubar o emprego das pessoas é o maior mito em relação ao tema, uma vez que os países com menos automação têm maiores taxas de desemprego. “A tecnologia só é exponencial porque nós a fazemos dessa forma”.

Kevin Kelly, cofundador da revista Wired e autor do livro “Inevitable” garante: “Daqui a 100 anos, veremos que esses empregos pelos quais lutamos para manter vivos representarão um verdadeiro desperdício do potencial humano”. 

Portanto, tornar as pessoas melhores para construir um mundo melhor tornou-se dos principais desafios das empresas e, certamente, uma grande esperança para a humanidade. Seja em Marte, na Lua ou na própria Terra, o caminho é cocriar soluções para a construção de um mundo melhor.

Inteligência Aumentada para incluir e superar limitações físicas 

Como a simbiose entre seres humanos e tecnologia pode impactar a habilidade humana? De acordo com Hugh Herr, co-diretor do MIT Center for Extreme Bionics, os novos avanços na genética, na medicina regenerativa e no setor de tecnologia farão com que os chips possam se conectar ao sistema nervoso e provocar sensações que antes eram praticamente impossíveis diante de uma limitação física, ampliando a cognição, a criatividade e as habilidades sensoriais.

O próprio Hugh Herr é considerado o “Líder da Era Biônica” em função de seu trabalho revolucionário no campo emergente da biomecatrônica, cuja aplicação mais comum é a utilização de próteses com movimentos automatizados. Ele acredita que a simbiose entre o humano e a tecnologia vai permitir uma série de avanços para melhorar a mobilidade em todo o mundo.

Segundo Herr, é possível que sejamos surpreendidos por soluções que usem, mais do que Inteligência Artificial, a Inteligência Aumentada, que contempla sistemas com base em tecnologia cognitiva para apoiar o ser humano. A Inteligência Aumentada auxilia na busca de diagnósticos on-line, no laudo de um médico - ou até mesmo em análises financeiras – e caminha lado a lado com a decisão humana.

O diálogo das novas tecnologias com a neurologia e com a mecatrônica sinalizam um futuro com mais esperança para a condição humana. Mais interativa, inclusiva e repleta de possibilidades.

Para Daniel Kraft, responsável pela área de Medicina da Singularity University e fundador da Exponential Medicine, o conceito de Internet das Coisas (IoT) para o segmento médico já está ao alcance de vários cidadãos, por meio de sensores e dispositivos móveis, que podem gerar insights de saúde, em tempo real, sem a necessidade da presença de um médico. “É importante que exista uma convergência dos dados para que se tenha um ganho real na prevenção de doenças”, defende Kraft. 

Segundo especialistas, a resposta para um sistema de saúde mais eficiente é a equação entre humanos e máquinas. Com a combinação de soluções de Analytics, Big Data, Inteligência Artificial, Machine Learning e velocidade de alta capacidade, a área de saúde pode alcançar um novo patamar, que poderá reduzir as idas aos consultórios e hospitais de forma significativa. “Quando chegar este momento, podemos dizer que realmente pulamos do estágio de sickcare para healthcare”, complementa Kraft.

Segundo da IDC, o mercado mundial de solução para a Internet das Coisas deve movimentar US$ 7,1 trilhões até 2020. Na área de saúde, existem muitas tendências desta natureza que tendem a provocar um impacto significativo na saúde e no bem-estar dos pacientes. Com a evolução tecnológica, o número de dispositivos capazes de capturar e ajudar a monitorar sinais de saúde, doenças e características de cada um, individualmente, vem crescendo exponencialmente, o que dá aos médicos condições de realizar diagnósticos e tratamentos com mais agilidade.

 

Entre os temas mais discutidos nos eventos que discutem o futuro da tecnologia, a Inteligência Artificial tem um papel de destaque. O Gartner prevê que até 2021 sejam gerados US$ 2,9 trilhões em novas oportunidades de negócios envolvendo IA. De acordo com a consultoria, essas soluções ganharão mais relevância ao criar insights que personalizem a experiência dos clientes e, consequentemente, gerem mais engajamento, vendas e satisfação do consumidor.

Contudo, para que se torne mais eficiente, a IA deve refletir melhor o comportamento humano. A tecnologia tenta simular a nossa capacidade de raciocinar e quando integrada à Internet das Coisas (IoT) e ao Big Data, deve ser capaz de gerenciar dados e acumular informações, similar ao que acontece com o cérebro humano, além de sugerir insights e entender o que cada pessoa precisa.

Ainda é preciso, segundo os especialistas, desenvolver melhor a diversidade da linguagem, para que a interação seja mais intuitiva e natural. É a hora dos assistentes de voz ganharem mais espaço na jornada do cliente.

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